12:05 | 26/07/2017

Startup — uma conversa com André Khouri, da Drinkfinity

Não existe pressão por não errar. Posso experimentar, fazer testes, colocar uma promoção na rua de um dia para o outro. Para isso, precisamos de fato dessa autonomia

Startup é uma empresa em fase inicial que oferece um produto ou serviço inovador e cujo modelo de negócio pretende ganhar escala rapidamente. Apesar de ser geralmente associada à área de TI, cada vez mais abrange outros setores. Já a etimologia do termo em inglês ajuda a expandir o conceito: como start significa “começo”, e up, neste caso, algo que está para ser lançado, Startup é, também, uma ideia nova (que pode vir a ser um produto, um serviço, um processo), pronta para ganhar o mercado.

Fonte: drummoonndd

Grandes empresas podem abraçar o formato de Startup, ou, em outras palavras, colocar em prática ideias e modelos de negócio inovadores. Foi o que fez a PepsiCo ao apostar na Drinkfinity (ou D8), marca de bebidas que opera como Startup dentro da multinacional. Instalada a partir de 2011 na PepsiCo de Miami, foi lançada em 2014 — e o Brasil, escolhido como seu primeiro mercado.

A Drinkfinity é completamente diferente de bebidas tradicionais da PepsiCo como Gatorade, Toddynho e H2O!, para citar algumas. Considerada um “sistema de bebidas”, funciona assim: uma cápsula (pod) é acoplada à garrafa de acrílico (vessel), onde sais mineiras se misturam ao líquido colorido, oferecido em diferentes sabores. Acrescenta-se 500 mililitros de água, para a diluição, e tem-se o produto final.

Segundo André Khouri, gerente da Drinkfinity no Brasil, a proposta é oferecer mais do que uma opção moderna de bebida, e sim um estilo de vida. “Temos um produto com uma característica especial: queremos que as pessoas vivam a experiência D8 e que o consumo do produto faça parte de um ritual diário”, diz. Ao todo, há doze sabores da bebida (incluindo açaí e banana, pensados para o paladar brasileiro), divididos em quatro categorias: Energy, Exercise & Play, Live your Day e Take a Break. A ideia é que o consumidor tenha uma cápsula para cada momento do dia.

No processo, a PepsiCo quebrou seus próprios paradigmas, já que as inovações técnicas do Drinkfinity têm relação inversa com a da maioria dos seus produtos. Enquanto o vessel é reutilizável, as garrafas de Gatorade, por exemplo, vão para o lixo. Além disso, há o estímulo do consumo de água filtrada — em contraponto à água mineral, engarrafada e vendida pela Pepsico. Além disso, o D8 não é vendido em supermercados, mas por meio de e-commerce e lojas e quiosques da marca em alguns shopping centers.

Outra novidade foi chamar influenciadores, early adopters, geeks e hipsters (ou seja, variadas tribos de jovens) para conhecer e testar gratuitamente o produto em um espaço colaborativo, o Drinkfinity Lab, montado temporariamente numa casa na Vila Madalena, em São Paulo. No local, pessoas se encontravam para falar sobre sua experiência diária com o D8. “O grupo brasileiro foi o mais engajado e o que teve a maior aderência ao produto, trazendo inputs valiosos que ajudaram a chegar à versão que hoje está no mercado”, diz Khouri. Este fator, segundo ele, foi determinante para a escolha do Brasil como o primeiro mercado da nova marca.

Hoje, a D8 funciona dentro da PepsiCo com uma equipe de quatro funcionários, além de Khouri, 100% dedicados à marca. Conhecidos como a “galera Drinkfinity”, eles participam de reuniões corporativas com times de RH, mas têm total autonomia para conduzir sua rotina, horários ou fazer home office. Para Khouri, como se trata do único produto da multinacional vendido por e-commerce, a operação precisa ter liberdade e agilidade. “A companhia reconhece e deseja isso. Não existe pressão por não errar. Posso experimentar, fazer testes, colocar uma promoção na rua de um dia para o outro. E para isso, precisamos de fato dessa autonomia.”

O núcleo duro do time global também é pequeno. A equipe é liderada pelo argentino Hernan Marina, diretor de inovação de Drinkfinity, em Miami, nos Estados Unidos. Ele tem três funcionários diretos, responsáveis por marketing, operação e finanças. Há, ainda, uma rede maior de apoiadores, colaboradores e assessores, e a expertise do Grupo Global de Bebidas da PepsiCo e de seu Grupo de Design, em Nova York.

Fonte: draft

Por aqui, a D8 segue em ritmo de Startup. Khouri diz não ter plano de inovação para os próximos três anos, pois o processo de testes e experimentações é constante. “Estamos colados em nossos consumidores. Monitoramos cada interação, post e conversa que acontece nas redes sociais.” A tática, segundo ele, foi o que levou à abertura e a ampliação das lojas físicas, hoje canais relevantes de venda. “Nossas lojas tinham sido pensadas para ser temporárias, mas percebemos rapidamente que o consumidor brasileiro gosta dessa experiência sensorial, então investimos nelas.” Desde agosto de 2015, Khouri somou, a seu cargo de gerência, a função de liderança das ações de comunicação, PR, digital e todos os esforços de marketing da Drinkfinity no Brasil.

A companhia não revela números de vendas ou o tamanho do mercado do D8. Ao que tudo indica, o negócio vai bem: o produto será lançado em um segundo país e há planos de expandir as lojas físicas. Em uma visita recente ao Brasil, a atual presidente e CEO da Pepsico, Indra Nooyi, fez questão de visitar uma das lojas da Drinkfinity. Afinal, por trás dessa Startup de sucesso existe uma multinacional.

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