14:38 | 26/07/2017

Série Pilares da Indústria 4.0 (parte 7 de 9) - Segurança Cibernética

Com investimento pesado em veículos autônomos e conectados à internet, a indústria automobilística está bastante preocupada com a questão da Segurança Cibernética. Afinal, ninguém quer conviver com a possibilidade de hackers controlando carros à distância.

Segurança Cibernética

O que é: Segurança Cibernética (Cybersecurity, em inglês) é o conjunto de ferramentas criadas para proteger dados virtuais e, hoje, um mercado que movimenta cerca de 75 milhões de dólares em todo o mundo.

Na Indústria 4.0, em função da integração de sistemas digitais e mecânicos na cadeia de produção, será cada vez mais necessário prevenir, detectar e conter vazamentos, sejam por ataques maliciosos, negligência de funcionários ou mesmo por falhas técnicas.

No artigo Reflexões sobre os novos desafios de segurança na Indústria 4.0, da Computerworld, Ricardo Theil, conselheiro da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro), explica que a maior conexão entre sistemas operacionais complexos, com acesso remoto e uso de diferentes tecnologias, pode tornar mais vulneráveis as empresas que deixarem a segurança de lado. Essa também é a conclusão do relatório Security for the Industrial Internet of Things, apresentado em março pela Deutsche Telekom.

Fonte: shutterstock

Origem: A Segurança Cibernética nasceu de uma brincadeira. Em 1988, o americano Robert Tappan Morris, então estudante de Ciência da Computação no Massachusetts Institute of Technology (MIT), criou o primeiro código malicioso a se espalhar pela internet. Na verdade, ele seria inofensivo se um problema na programação não causasse, inadvertidamente, uma sobrecarga no sistema infectado. Cerca de 10% dos 60 mil computadores que formavam a rede mundial na época caíram e o fato chamou atenção para a questão da segurança em softwares, originando o surgimento de grupos de especialistas responsáveis por agir em caso de incidentes como esse.

Objetivos: O investimento na Segurança Cibernética possibilita dar uma resposta rápida e eficiente a uma possível ameaça, algo imprescindível para um sistema totalmente conectado como propõe a Indústria 4.0. Em 2014, grandes fabricantes de soluções de segurança começaram a se unir em uma grande rede de compartilhamento de dados sobre a área para combater as ameaças (leia mais no artigo O que ganhamos com as redes de inteligência de segurança?, da Startupi). O objetivo é criar um banco de dados de inteligência sobre segurança para identificar e alertar sobre invasões e vazamentos, além de rastrear os atacantes, a partir de informações atualizadas. O estudo The Defender’s Dilemma: Charting a Course Toward

Cybersecurity, da Rand Corporation, aponta que, em dez anos, o custo com segurança cibernética vai aumentar 38%.

Desafios: Criar, nos próximos anos, um sistema mais protegido e confiável ao mesmo tempo em que a Indústria 4.0 constrói um cenário altamente tecnológico, autônomo e integrado. Segundo Marc van Zadelhoff, vice-presidente da IBM Security, é necessário investir em capacidade de análises e inteligência para ser capaz de compreender os danos durante ou logo após uma violação. Manter uma equipe treinada, inclusive com simulações recorrentes de um cenário de invasão cibernética, e responder a um ataque o quanto antes diminui danos e custos. Outra ferramenta é a criptografia de dados.

No Brasil: Divulgado em junho de 2016, um estudo global do instituto Ponemon em parceria com a IBM sobre o custo das empresas com violação de dados incluiu, pelo quarto ano, um relatório específico sobre o Brasil. A pesquisa revelou que o prejuízo per capita com os crimes cibernéticos aumentou de R$ 175, em 2015, para R$ 225 (em 2013, na primeira participação brasileira no estudo, o valor era de R$ 116, apontando uma progressão perigosa). As 33 companhias avaliadas gastaram um total de R$ 4,31 milhões no último ano para estancar roubos e perdas de informações. O material pode ser baixado aqui.

Saiba mais:

— Com investimento pesado em veículos autônomos e conectados à internet, a indústria automobilística está bastante preocupada com a questão da Segurança Cibernética. Afinal, ninguém quer conviver com a possibilidade de hackers controlando carros à distância. A Volkswagen, por exemplo, está em contato com o ex-chefe da agência de inteligência israelense para desenvolver sistemas confiáveis. A Renault fez o mesmo. Já existe até a profissão “hacker de carro”: especialistas em identificar falhas que podem servir de porta de entrada para uma invasão em alta velocidade.

— No início de 2016, o governo americano lançou um programa pioneiro de recrutamento de hackers para testar o sistema de Segurança Cibernética do seu Departamento de Defesa. A experiência se baseia em competições que empresas, como a companhia aérea United, já promovem para tentar encontrar falhas em suas redes.

Links úteis:

Indústria 4.0 exige foco maior em segurança, no ITSA Brasil.

Sistemas cognitivos deve ter investimentos globais de US$ 31 bilhões em 2019, no Valor Econômico.

Relatório de Segurança revela aumento na distância entre percepção e realidade das ameaças cibernéticas, na Startupi

Porque é tão difícil acertar a segurança cibernética, na Harvard Business Review Brasil.

Fontes: Exame, Forbes, Tecmundo, Valor Econômico.

No portal CNI Digital, vamos falar bastante de Segurança Cibernética, então fique ligado!