15:26 | 26/07/2017

Série Pilares da Indústria 4.0 (parte 5 de 9) - Internet das Coisas Industrial (IIoT)

Por meio de análise de dados históricos e da utilização de técnicas estatísticas, a Internet das Coisas Industrial possibilita a chamada “manutenção preditiva”

O que é: Internet das Coisas, ou IoT (do inglês Internet of Things) é, basicamente, a conexão, por meio da rede mundial de computadores, de dispositivos dos mais variados tipos (telefones celulares, eletrodomésticos, maquinário industrial etc) entre si e entre as pessoas. Não é uma mudança na Internet como a concebemos mas, sim, outra maneira de usá-la: de forma quase onipresente e exigindo cada vez menos intervenção humana.

Na Indústria 4.0, é chamada de Internet das Coisas Industrial ou IIoT (Industrial Internet of Things) e é aplicada no chão de fábrica, onde máquinas inteligentes têm dispositivos ligados a redes, enviando, processando e combinando dados de outros dispositivos. No centro da implementação da IIoT está o M2M (Machine-to-Machine ou, em tradução livre, De máquina para máquina), que significa a comunicação entre duas máquinas ou entre um ou mais dispositivos inteligentes e um computador central.

Fonte: shutterstock

O estudo Winning with the Industrial Internet of Things, feito pela empresa global de consultoria e tecnologia Accenture, com 1,4 mil líderes de empresas de 20 países, prevê a contribuição de 14,2 trilhões de dólares da IIoT para a produção mundial até 2030. Espera-se, principalmente, o crescimento de mercados maduros, como os Estados Unidos, que terá, em função disso, 6,1 trilhões de dólares adicionados ao seu PIB. No Brasil, a previsão é de 39 bilhões de dólares. 

Origem: O termo Internet of Things foi usado, pela primeira vez, em 1999, pelo empresário britânico Kevin Ashton, em uma palestra na Procter & Gamble (P&G). Ele apresentou uma pesquisa, realizada em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), sobre a possibilidade de gerenciar a distribuição de produtos da empresa, tendo acesso a localização desses itens a partir do momento em que deixam a fábrica.

Objetivos: Economia, em função de ganhos em eficiência, otimização, enxugamento do quadro de funcionários e possibilidade de prevenção de erros e problemas, entre outros. Por meio de análise de dados históricos e da utilização de técnicas estatísticas, a Internet das Coisas Industrial possibilita a chamada “manutenção preditiva”: a rede monitora temperatura, avarias e performance das peças que, trocadas a tempo, têm sua vida útil aumentada. A manutenção é feita pelas próprias máquinas o que, em ambientes hostis (perigosos) comuns na indústria, evita a exposição de funcionários a situações de risco.

Desafios: Segurança. Dados do Gartner Group, referência mundial em pesquisas de TI, o mercado de segurança em IoT deverá chegar, no mundo, a 840,5 milhões de dólares em 2020. Na Internet das Coisas, a segurança envolve questões complexas como pontos de acesso móveis e fuso de diferentes padrões, sistemas (que podem estar abertos, aumentando o risco de invasão de dados) e recursos financeiros.

No Brasil: Ao lado de Espanha, Índia, Itália e Rússia, o Brasil registra as piores condições de infraestrutura, habilidades e bases institucionais para a rápida adoção da IIoT em relação aos 20 países do estudo da Accenture mencionado acima. O relatório sugere que as empresas desses países terão de ajudar seus governos a identificar melhorias e aumentar a escala de adoção de novas tecnologias. Se adotar essas medidas, o impacto no PIB brasileiro será, até 2030, de 200 bilhões de dólares (em vez dos 39 bilhões expostos no primeiro item).

Saiba mais:

— O estudo do Gartner Group projetado em 2020 também revela que os investimentos em infraestrutura de IoT serão de 1,53 trilhões de dólares no mercado consumidor e 1,47 trilhões de dólares no setor corporativo. Outro estudo, da empresa de consultoria e pesquisas Frost & Sullivan, constata que, em quatro anos, haverá mais de 50 bilhões de dispositivos conectados no mundo.

— De acordo com Pietro Delai, gerente de pesquisa e consultoria da IDC na América Latina, algumas das áreas mais propícias de aplicação da Internet das Coisas são as de manufatura, monitoramento de cargas, gestão de frotas e equipamentos, prédios inteligentes, segurança e monitoramento doméstico, smart grid (medidor inteligente de consumo de energia elétrica), segurança pública e gestão de maquinário, entre outras.

— Na agricultura, sensores podem monitorar variáveis como temperatura do ar, do solo, umidade, radiação solar e probabilidade de chuva, entre outros, o que pode evitar perdas de produção e melhorar muito o rendimento. Na área da logística, sensores colocados em contêineres podem fornecer e receber dados em tempo real sobre a carga, informar a frequência de manuseio e qual sua condição. Conectadas com o sistema de gerenciamento do depósito, essas informações podem aumentar a eficiência, acelerar o tempo de entrega e melhorar o atendimento ao consumidor.

Links úteis:

Como a Internet das Coisas pode levar à próxima onda de crescimento no Brasil, na Harvard Business Review Brasil.

Internet das Coisas é imperativa na Indústria 4.0, na Exame.

— Internet das coisas se aproxima da realidade e ajuda indústria, varejo e saúde, na Folha de S. Paulo.

Fontes: Accenture Brasil, ComputerworldProjeto Draft, Valor Econômico.

No portal CNI Digital, vamos falar bastante de Internet das Coisas, então fique ligado!

OLHO: Por meio de análise de dados históricos e da utilização de técnicas estatísticas, a Internet das Coisas Industrial possibilita a chamada “manutenção preditiva”: a rede monitora temperatura, avarias e performance das peças que, trocadas a tempo, têm sua vida útil aumentada.