15:30 | 26/07/2017

Série Pilares da Indústria 4.0 (parte 4 de 9) - Integração Horizontal e Vertical

O ponto forte desses sistemas é a agilidade nos processos de tomada de decisão e fabricação

O que é: Sistema de Integração Horizontal e Vertical, também chamado de Sistema de Integração Universal, é um conceito utilizado para descrever como os processos, produtos, dados e sistemas de produção se inter-relacionam na produção inteligente da Indústria 4.0.

Atualmente, a maioria dos sistemas de TI ainda não está totalmente integrada. No entanto, com a Indústria 4.0, a variabilidade de produtos, processos e a flexibilidade da produção é tão grande que a única forma do processo produtivo funcionar é havendo compartilhamento de dados em rede (o chamado Sistema de Integração Horizontal). Quando o planejamento e o desenvolvimento de novos produtos são diretamente fundidos com os processos de produção (o Sistema de Integração Vertical), rompem-se as barreiras burocráticas e lentas dos processos convencionais.

Na Indústria 4.0, o uso inteligente dos dados massivos (Big Data), em parceria com o marketing digital, acelera a tomada de decisão na proposição de novas características aos produtos. “O sistema de integração vertical permite que os processos sejam extremamente ágeis, configurando todo o sistema produtivo e realizando os ajustes e configurações das máquinas, dos robôs e dos sistemas de transporte internos para produção rápida”, diz o professor John Paul Lima, coordenador dos cursos de Engenharia da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap).

Fonte: shutterstock

Origem: Este é um conceito recente que surgiu da necessidade atual de uma digitalização maior da Indústria 4.0. O volumes de dados aumentam rapidamente, assim como as capacidades analíticas para melhorar a eficiência das operações de negócios. A interatividade entre seres humanos e as máquinas também evolui a cada dia e a inovação tecnológica já permite criar ferramentas melhores para a transferência de dados digitais, facilitando a conectividade. Tudo isso exige um sistema totalmente integrado.

Objetivos: O ponto forte desses sistemas é a agilidade nos processos de tomada de decisão e fabricação, dando maior flexibilidade ao parque fabril. Quando os produtos começam a ser produzidos, sensores, tags e outros dispositivos permitem que as máquinas ajustem seus tempos e configurações baseados nas etapas anteriores, trocando informações em rede por todo o chão de fábrica, devido à integração horizontal.

Segundo Lima, o conceito de internet das coisas vem crescendo, permitindo a consolidação dos sistemas de integração horizontal, na medida em que os produtos em fabricação, matérias primas e as máquinas reportam às estações de trabalho e ao sistema de gestão seu status e qual processo está sendo executado.

Desafios: O grande desafio para implementação é o custo com as máquinas e dispositivos para viabilizar a indústria inteligente. Por outro lado, sistemas convencionais passam a ser considerados estáticos e limitados em comparação com as fábricas inteligentes da Indústria 4.0. Nesse novo paradigma, as indústrias conseguem responder com muito mais agilidade às demandas de mercado.

“A mão de obra necessária deve ser bem qualificada e o custo com TI tende a aumentar, mas a participação da empresa tende a crescer, devido a uma oferta de produtos mais diversificada. E o custo com atualizações diminui, por conta da flexibilidade fabril”, explica o professor.

Os robôs, os controladores, as tags e os sensores necessários para a construção desses sistemas tornam-se cada vez mais acessíveis economicamente, reduzindo seus valores de maneira exponencial. Com isso, as empresas percebem uma vantagem econômica em se modernizar em face dos benefícios que as fábricas inteligentes trazem.

No Brasil: Algumas indústrias nacionais estão caminhando para a construção de fábricas inteligentes. Conforme as máquinas tornam-se obsoletas, as novas já contam com sistemas que permitem a sua integração. Segundo Lima, estima-se que entre 40 e 50% das máquinas atuais já possuem alguma conectividade, o que mostra uma evolução gradual antes mesmo da revolução acontecer. “Em tempos de crise, como a que estamos vivendo, uma indústria inteligente teria mais flexibilidade para atender diferentes tipos de mercado, visando não só a demanda nacional como também a internacional”, diz.

O estudo Indústria 4.0: Digitização como vantagem competitiva no Brasil, etapa nacional da Pesquisa Global sobre a Indústria 4.0, explora os benefícios da digitalização vertical e horizontal das cadeias de valor de 32 empresas brasileiras. Ele constatou que, atualmente, apenas 9% delas se classificam como avançadas nessa área. Até 2020, porém, esse percentual deve saltar para 72%

Saiba mais:

- As empresas alemãs estão entre as mais adiantadas na integração de seus sistemas com foco na Indústria 4.0, como mostra este estudo do Boston Consulting Group, que comparou o nível de digitalização e automação da indústria da Alemanha e dos Estados Unidos. Entre elas, vale a pena destacar o exemplo da Volkswagen (veja mais neste vídeo). Outra gigante que vem se adequando é a Siemens (leia mais aqui).

- No Brasil, fornecedores da Embraer estão se adaptando para criar uma cadeia de valores mais integrada e aumentar a competitividade da indústria aérea nacional no exterior. Leia mais aqui.

Links úteis:

- A cadeia de valor na Indústria 4.0, na HBM.

- Systems integration for industry 4.0, no EETimes.

- Projeto do future indústria 4.0, no YouTube

Fonte: Linkedin, Exame, Valor Econômico

No portal CNI Digital, vamos falar bastante de Integração Horizontal e Vertical, então fique ligado!