15:03 | 26/07/2017

Série Pilares da Indústria 4.0 (parte 3 de 9) - Computação em Nuvem

Dados do Gartner Group indicam que os investimentos das empresas brasileiras na Computação em Nuvem devem chegar a 4,5 bilhões de dólares em 2017 e a 20 bilhões de dólares até 2020

O que é: Computação em Nuvem (Cloud Computing) é a possibilidade de acessar e utilizar serviços como armazenamento, bancos de dados, rede, software e análise, entre outros, pela internet. Para isso, é preciso que o usuário contrate um serviço de empresas denominadas provedoras de nuvem, que podem, ou não, cobrar pelo uso. O Dropbox, por exemplo, é pago. Já o Google Drive é gratuito.

Fonte: shutterstock

O que essas provedoras oferecem é conhecido por SaaS (forma abreviada de Software as a Service, ou, em português, “Software como Serviço”). Há aplicações de SaaS criadas especificamente para uso empresarial, como o Office 365, da Microsoft (em contrapartida ao pacote Office tradicional, instalado na máquina), e o G Suite, do Google Cloud Platform. Uma das principais vantagens do SaaS é a forma de cobrança, proporcional ao espaço e às ferramentas utilizados.

Segundo o Gartner Group, referência mundial em pesquisas de TI, os SaaS são um dos maiores segmentos no mercado global e crescerão 21,7% ao longo de 2016, movimentando 38,9 bilhões de dólares. A causa da expansão seria a economia de 14% nos orçamentos das organizações permitidas pelas tecnologias “as a Service”.

Há três tipos de nuvem — pública, privada e híbrida — cuja utilização varia em função das necessidades e demandas do negócio. A pública tem servidores externos, instalados em provedores fora da empresa e, devido a seu baixo custo, é mais utilizada por startups, micro e pequenas empresas. A privada requer mais investimento e é indicada para empresas já em expansão (os servidores são alocados em data centers dentro da própria companhia). A híbrida permite o armazenamento de dados locais e sigilosos em uma nuvem privada e sua transferência para uma nuvem pública. Teoricamente, é o modelo ideal para todas as empresas pela maior oferta de recursos.

Um estudo da Cisco — baseado em uma pesquisa de mercado realizada em 2016 pelo IDC  (International Data Corporation) em 31 países — constatou que 95% dos mais de 6,1 mil entrevistados (executivos responsáveis por decisões de TI) optaram por ambiente híbridos, com múltiplas nuvens públicas e privadas, em função de vantagem econômica, localização e políticas de governança.

Origem: O conceito surgiu na década de 1960, formulado por J.C.R. Licklider, um dos principais desenvolvedores da ARPANET (primeira rede operacional de computadores), e por John McCarthy, responsável por cunhar o termo “inteligência artificial” e defensor da computação como utilidade pública. O termo Cloud Computing (“Computação em Nuvem”) foi utilizado pela primeira vez pelo professor de sistemas de informação Ramnath Chellappa, durante uma palestra acadêmica em 1997.

Na prática, a nuvem foi desenvolvida em 1999, com o surgimento da Salesforce.com, primeira empresa a disponibilizar aplicações na internet. A partir daí, surgiram serviços de nuvem de gigantes como Amazon, Google, IBM e Microsoft.

Objetivos: O estudo online Trends in Cloud Computing, da CompTIA (associação sem fins lucrativos para indústrias de TI), com 500 executivos de TI e de negócios de variadas indústrias, aponta redução de custos como principal benefício da utilização da nuvem tanto por grandes empresas, de 500 funcionários ou mais como por médias (de 100 a 499) e pequenas empresas (menos de 100).

A economia provém, entre outros fatores, da menor necessidade de investimentos em hardware e infraestrutura (segurança, backup, espaço, luz, refrigeração etc.), em equipe de TI (cabe ao provedor de nuvem gerenciar recursos como capacidade de rede, espaço em disco, servidores e sistema operacional), em máquinas (é possível usar qualquer dispositivo, inclusive mobile) e com deslocamentos (uma vantagem sobretudo para empresas globais, com sede em vários países).

Desafios: A segurança de dados em nuvem ainda é um ponto desconfortável para muitas empresas. Há falta de conformidade com as regulamentações de privacidade e proteção de dados e com a implementação de tecnologias como criptografia, uso de tokens, ou outras soluções criptográficas.

Um estudo (The 2016 Global Cloud Data Security Study) do instituto de pesquisa Ponemon, feito com 3.476 profissionais de TI e de segurança de TI em nove países  — Alemanha, Austrália, Brasil, Estados Unidos, França, Índia, Japão, Reino Unido e Rússia —, constatou que 56% dos entrevistados não consideram suas empresas cuidadosas com o compartilhamento de informações sensíveis com parceiros comerciais, contratantes e vendedores. Além disso, 54% afirmaram que suas companhias carecem de uma abordagem proativa para gerenciar a segurança e estar de acordo com a legislação.

No Brasil: Dados do Gartner Group indicam que os investimentos das empresas brasileiras na Computação em Nuvem devem chegar a 4,5 bilhões de dólares em 2017 e a 20 bilhões de dólares até 2020. Já o levantamento da consultoria Frost & Sullivan diz que o mercado de Computação em Nuvem deve crescer 30% no país até 2017 e movimentar 1,1 bilhão de dólares (gestão mais ágil e otimização de custos são duas vantagens apontadas). Grandes nomes como AWS (Amazon Web Services), Microsoft e IBM já estão presentes no Brasil, e outros gigantes do mercado como Google e Oracle estão previstos para chegar ao país ainda em 2017.

Saiba mais: Há cerca de dez anos, a Computação em Nuvem foi recebida com hostilidade por muitas organizações e profissionais de TI, segundo relembra o texto Como Cloud Computing está Impulsionando a Revolução das Startups, publicado na Startupi (no fim de 2015). Era, então, considerada “um serviço barato, que ameaçava a governança; uma praga para os provedores de hardware; uma ameaça destruidora para os empregos de profissionais com alto nível de especialização e altos salários”. Mesmo em 2011 — ou seja, no início da década atual — ainda era possível encontrar matérias com títulos como “A nuvem vs. TI: seu emprego está em risco?” (a exemplo do debate mais recente que relaciona o uso de Robôs Autônomos à eventual diminuição no quadro de funcionários das empresas).

Links úteis:

1. Empresas estão mais criteriosas no uso de cloud computing, no Computerworld.

2. O “segredo do sucesso” de Airbnb e Moovel envolve Cloud Computing, no Gizmodo.

3. Nobody Knew How Big a Deal the Cloud Would Be — They Do Now, na Wired.

Fontes: Dell, Computerworld, Estadão.

No portal CNI Digital, vamos falar bastante de Computação em Nuvem, então fique ligado!