15:54 | 26/07/2017

Negócios Sociais – uma conversa com Evelin Giometti, da Yunus Negócios Sociais Brasil

“A existência de um Negócio Social ligado ao core da empresa traz um maior significado para os funcionários. Temos clientes que dizem existir uma disputa entre os trainees para trabalhar nesse tipo de projeto” (Evelin Giometti, da Yunus Negócios Sociais)

Negócios Sociais são empresas criadas para resolver problemas de comunidades de baixa renda e causar impacto social. Em alguns aspectos, funcionam como uma empresa tradicional: têm lucro, orientam-se em função da oferta e demanda, procuram conhecer seu público alvo e avaliam oportunidades e riscos. E, diferentemente de ONGs, o Negócio Social paga impostos e não depende de doações para sobrevivência — é, necessariamente, autossustentável.

O Negócio Social deve respeitar alguns princípios importantes, segundo o Yunus Social Business, fundo de investimento, aceleradora e incubadora de Negócios Sociais fundado pelo banqueiro e economista Muhammad Yunus, criador do Grameen Bank e ganhador do prêmio Nobel da Paz em 2006. Orientado para combater problemas sociais e/ou ambientais, precisa ao mesmo tempo buscar sua própria sustentabilidade econômica, reinvestindo 100% do lucro no próprio negócio (porém, uma vertente alternativa utilizada no mercado por outras empresas afirma que a distribuição de dividendos pode atrair mais investidores e capital para ampliar sua escala e causar ainda mais impacto social). 

 

Fonte: yunus

 

Grandes empresas também podem investir em Negócios Sociais. Para Evelin Giometti, gestora de Programas Corporativos do Yunus Negócios Sociais Brasil, unidade brasileira ligada à empresa global Yunus Social Business Global Initiatives, o primeiro passo nesse caminho é exercitar um olhar interno para que a empresa entenda quais são suas grandes vocações. “Depois, voltar o olhar para fora e entender quais problemas sociais precisam ser resolvidos. É a partir desses dois olhares que nasce um Negócio Social ligado à alma da empresa”, diz.

Um exemplo dessa ligação, sugere Evelin, seria uma empresa de alimentos que invista em um Negócio Social relacionado ao combate à desnutrição em uma determinada comunidade. “Acredito que quanto mais ligado ao core da empresa, ao que ela já faz, mais relevância e engajamento interno o projeto terá.” Outro caminho é a companhia se aproximar de empreendedores responsáveis por Negócios Sociais dentro das escolhas estratégicas da empresa. “Assim, essa empresa se conecta ao ecossistema e aprende com soluções que já estejam sendo colocadas em prática”.

Segundo Evelin, desenvolver um Negócio Social que esteja verdadeiramente alinhado ao núcleo principal de atuação empresa (o chamado core) requer envolvimento conjunto entre várias áreas, e não apenas o trabalho isolado do departamento ligado ao tema de responsabilidade social. “O engajamento de áreas como Recursos Humanos, Vendas e Inovação, juntamente à CRS [sigla de Cidadania, Responsabilidade Social e Sustentabilidade], traz um pensamento transversal e de negócio, e se afasta de conceitos tradicionais de projetos sociais, via doação, costumeiramente apoiados por empresas.”

As companhias interessadas em desenvolver um Negócio Social precisam “pensar fora da caixa”, desbravando a cultura empreendedora, reavaliando ou fugindo dos seus processos habituais e abraçando o intraempreendedorismo. Os benefícios podem vir na forma do acesso a um novo mercado no qual seria difícil entrar através do negócio tradicional (por motivos geográficos, econômicos ou outros). Outro aspecto benéfico, segundo Evelin, é que aumenta a possibilidade de atração e retenção de talentos na companhia.

“A existência de um Negócio Social ligado ao core da empresa traz um maior significado para os funcionários. Temos clientes, por exemplo, que dizem existir uma disputa entre os trainees para trabalhar nesse tipo de projeto dentro da empresa.”

A aproximação com as empresas traz escala e possível aumento do impacto para os Negócios Sociais, que em contrapartida ajudam essas companhias a girar dentro da Economia Criativa e da Inovação — um fator que vem se mostrando fundamental para o crescimento e a relevância das marcas junto às novas gerações. Os jovens continuam consumindo. A diferença, hoje, é que eles procuram consumir com propósito.