08:55 | 26/07/2017

Negócios Sociais orientam-se em função da oferta e demanda

Segundo um estudo do Monitor Institute, mais de 500 bilhões de dólares serão investidos em negócios sociais de 2012 até o início da próxima década

O que é: Negócios Sociais são empresas criadas com o objetivo de resolver problemas de comunidades de baixa renda e causar impacto social. Em alguns pontos, funcionam como uma empresa tradicional: têm lucro, orientam-se em função da oferta e demanda, procuram conhecer seu público alvo e avaliam riscos e oportunidades e riscos.

Em relação à distribuição de lucro, há duas formas de entendimento e prática. Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank (especializado em microcrédito) e de iniciativas como o Yunus Social Business, que funciona também no Brasil, acredita que o investidor deve recuperar o que investiu inicialmente mas que o lucro precisa ser reinvestido na própria empresa para ampliação do impacto social. Outra forma de entendimento, contrária, prega que a distribuição de dividendos atrai mais investidores e capital para ampliar a escala e o impacto social do negócio.

Diferentemente de ONGs, Negócios Sociais pagam impostos e não dependem de doações para sobrevivência. Autossustentáveis, devem ser escaláveis e apresentar modelo de negócio inovador.

Fonte: shutterstock

Origem: Yunus cunhou o termo Negócios Sociais em 1976, ano da fundação do Grameen Bank, mas não inventou o conceito. A aparição dos Negócios Sociais está relacionada a um processo sociocultural ocorrido, com apoio da Organização das Nações Unidas, em vários países a partir das décadas de 1970 e 1980, sobretudo nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Objetivos: Resolver problemas em comunidades carentes, como fome, desnutrição, falta de saneamento básico, erradicação de doenças e analfabetismo, por meio da criação de empregos e de renda nessas comunidades e do fomento ao empreendedorismo. O Moradigna, por exemplo, é um programa em andamento no Jardim Pantanal, em São Paulo, que já reformou, a preço e condições de pagamento acessíveis aos moradores, mais de 100 casas em condições insalubres.

Desafios: Dentre os principais estão: a dificuldade de equiparar salários com setores tradicionais; o período invariavelmente mais longo para alcance do ponto de equilíbrio financeiro (em comparação a modelos de negócios convencionais); o gerenciamento simultâneo da necessidade de causar impacto social e da exigência de obter retorno do investimento (característica chamada, em inglês, de Double Bottom Line); e o alinhamento do investidor com o perfil do Negócio Social para evitar divergências nas tomadas de decisões que prejudiquem o impacto social.

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No Brasil: Artemisia, Vox Capital, Sistema B, Força Tarefa Brasileira de Finanças Sociais e Social Good Brasil, além da já citada Yunus Social Business, são exemplos de empresas e instituições que apoiam, aceleram, ensinam, conectam e/ou fomentam Negócios Sociais no Brasil. Entre os exemplos de projetos que nascem destes negócios estão o Programa Vivenda (de moradia popular), Dr. Consulta (saúde), Tô Garantido (microsseguros), 4You2 (educação de língua inglesa), Banco Palmas (banco comunitário de desenvolvimento) e Banco Pérola (micro financiamento).

Saiba mais:

— Um grupo de 21 lideranças do ecossistema Finanças Sociais e Negócios de Impacto no Brasil, da iniciativa Investir Para Transformar, elaborou um documento para nortear a sociedade brasileira na identificação e implementação de Negócios/Organizações de Impacto e no suporte ao seu desenvolvimento. O resultado é a Carta de Princípios para Negócios de Impacto Social no Brasil.

— Um estudo de 2011, desenvolvido conjuntamente por ANDE Polo Brasil (Aspen Network of Development Entrepreneurs), Potencia Ventures, Fundación Avina e Plano CDE, revelou que os Negócios Sociais no Brasil encontram-se nas seguintes áreas: serviços (72%), manufatura de produtos (28%), distribuição (26%), atacado/varejo (22%) e processamento de embalagem (16%).

— O mesmo estudo revelou que os cinco principais mercados são microcrédito (18%), capacitação/educação (12%), vestuário/artesanato (12%), agricultura/meio ambiente (8%) e alimentos (8%).

— Segundo outro estudo, do Monitor Institute (empresa social que aplica e replica práticas de resoluções de problemas públicos), mais de 500 bilhões de dólares serão investidos em negócios sociais de todo o mundo entre 2012 até o início da próxima década, com crescentes aportes anuais.

Links úteis:

Empresas B, ONGs, Negócios de Impacto... Entenda o beabá do empreendedorismo social, publicado no Projeto Draft.

As tendências em negócios sociais para ficar de olho em 2016, publicado na Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Want to See the Future of Social Business?, publicado na Business Insider.

Fontes consultadas: Projeto Draft, Sebrae

No portal CNI Digital, vamos falar bastante de Negócios Sociais, então fique ligado!