08:27 | 26/07/2017

Economia Criativa ou do capital intelectual

No Brasil, em uma década houve um crescimento de 69,1% em relação ao número de empresas pertencentes à indústria criativa

O que é: Economia Criativa é o setor econômico cujos modelos de negócio ou gestão estão atrelados a atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, da criatividade ou do capital intelectual, sempre (e necessariamente) visando a produção de renda.

Fonte: shutterstock

Segundo o Creative Economy Report 2013 – Special Edition, da Unesco, uma grande proporção de recursos intelectuais e criativos do mundo está, cada vez mais, sendo investida na Indústria Cultural (ou Criativa). Em 2014, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) fez um estudo chamado Mapeamento das Indústrias Criativas no Brasil, no qual foram ouvidos 892,5 mil profissionais da área. Dentre esses, 221 mil (24,7%) atuam na Indústria de Transformação, especialmente em quatro segmentos (de 13 analisados): Pesquisa & Desenvolvimento, Moda, Design e Publicidade.

Origem: Em 1983, um relatório da primeira-ministra Margaret Thatcher reconheceu oficialmente a importância de áreas ligadas à tecnologia e à criatividade para o crescimento econômico do Reino Unido. A autoria do termo “economia criativa” é posterior e creditada ao britânico John Howkins, a partir da publicação do livro The Creative Economy – How People Make Money From Ideas, em 2001. No Brasil, a obra ganhou o título de Economia Criativa – Como Ganhar Dinheiro com Ideias Criativas.

Objetivos: Gerar renda e criar empregos são alguns dos benefícios apontados pelo relatório da Unesco, segundo o qual a Economia Criativa é um dos setores que mais cresce na economia mundial. O relatório revelou ainda que o comércio mundial de bens e serviços criativos gerou US$ 624 bilhões em 2011 (não há dados mais recentes). Outro benefício apontado é a contribuição para o desenvolvimento social na medida em que gera bem-estar, autoestima e qualidade de vida em indivíduos e comunidades.

Desafios: Um dos maiores desafios está em mensurar o valor de um bem ou serviço que, diferentemente de artigos como eletrodomésticos ou aparelhos eletrônicos, pertencem a uma cultura de mercado já estabelecida e definida. De acordo com Renata Reps, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris 8, a lógica de mercado muda um pouco, já que esses bens têm mais valor simbólico do que funcional, um valor mais imaterial do que material. “São bens e serviços de valores relativamente altos e que não estão necessariamente ligados a seus custos de produção mas, sim, ao objetivo de oferecer experiências únicas ao consumidor.”

No Brasil: Em uma década, houve um crescimento de 69,1% em relação ao número de empresas pertencentes à indústria criativa. Em 2004, havia 148 mil empresas, número que subiu para 251 mil em 2013. Nesse período, o PIB da Indústria Criativa avançou 69,8% em termos reais, acima dos 36,4% do PIB brasileiro na mesma década.

Até 2014, o mercado formal de trabalho da Indústria Criativa já compreendia 892,5 mil profissionais, o que significa aumento de 90% em relação a 2003 e de 56% em relação ao mercado geral. Houve crescimento relevante em quatro grandes áreas criativas: Tecnologia (+102,8%), Consumo (+100,0%), Mídias (+58,0%) e Cultura (+43,6%).

Saiba mais:

— Em janeiro de 2016, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) criou um concurso (encerrado em maio) para seleção de startups inovadoras dentro da indústria criativa da América Latina e do Caribe.

— Também em 2016, a operadora TIM fez uma parceria com a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI) para estabelecer uma rede de intercâmbio para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de produtos e serviços inovadores abrangendo tanto mercados tradicionais, como educação, saúde e automotivo como também áreas de certa forma ainda novas, como Economia Criativa e Verde.

— Em setembro de 2016, Brasil e Portugal firmaram um acordo de cooperação tecnológica para dar início a missões, projetos e programas visando fomentar o intercâmbio para a internacionalização de startups. Os segmentos econômicos alvo dos programas são Economia Criativa, Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Biotecnologia.

Links úteis:

Understanding Creative Industries Cultural, publicação do Portal Unesco.

Como São Paulo está abraçando a Economia Criativa, publicação do site Free The Essence.

The UK's Fastest Growing Creative Industry Is Not What You Think (And Why That Matters), na Forbes.

Fontes: FIRJAN, Projeto Draft e Unesco.

No portal CNI Digital, vamos falar bastante de Economia Criativa, então fique ligado!