15:30 | 26/07/2017

Crowdfunding – uma conversa com Diego Reeberg, confundador do Catarse

“Os  tomadores de decisão têm dificuldade de entender o valor desse novo formato [Matchfunding]. Aqui, a empresa não tem total controle da decisão, nem ‘manda’ no patrocinado, e sim tem que dialogar junto e estar disposta a um novo tipo de envolvimento” (

Financiamento Coletivo (ou Crowdfunding), é um sistema online de arrecadação de dinheiro usado para a viabilização e produção de projetos pessoais ou de empresas. No Brasil, é oferecido por plataformas como CatarseBenfeitoria e Kickante, entre outras. Basicamente, funciona da seguinte forma: o interessado inscreve um projeto (produção de um livro ou um filme, por exemplo) e estabelece uma meta de arrecadação, o período em que a campanha ficará aberta e quais recompensas (proporcionais ao valor doado) serão dadas aos apoiadores.

Lançado em janeiro de 2011, o Catarse é o primeiro e maior Crowfunding brasileiro. Até novembro de 2016, 3.674 projetos já foram financiados pelo site, o que fez girar R$ 54 milhões (valor total de doações) e envolveu o apoio de 353.060 pessoas (em pelo menos um projeto cada). O estudo Retrato do Financiamento Coletivo do Brasil 2013/2014, feito pela plataforma em parceria com a empresa de pesquisa Chorus, apurou que, entre os 3.336 entrevistados (usuários, assinantes da newsletter e seguidores em redes sociais), 26% são funcionários de empresas privadas (em termos absolutos, a maioria) e 14% são empreendedores.

O modelo que alia empresas e financiamento coletivo é chamado de Matchfunding. Neste caso, para cada real doado no Crowdfunding, a empresa (aqui também patrocinadora) coloca outro real. Por exemplo, se o projeto arrecadar R$ 10 mil através do financiamento coletivo, o patrocinador apoia com outros R$ 10 mil.

 

Fonte: shutter

 

Segundo Diego Reeberg, VP de Comunidade e cofundador do Catarse, o principal benefício para empresas que usam o Matchfunding é poder investir em projetos de forma mais colaborativa e com pouco gasto. “Elas associam sua marca a uma tendência de mercado, que é o financiamento coletivo, e usam menos recursos, já que não patrocinam o valor total do projeto.”

Reeberg diz que o maior entrave para que empresas tradicionais participem de Matchfunding é a necessidade de uma mudança de paradigma. “Os  tomadores de decisão têm dificuldade de entender o valor desse novo formato. Aqui, a empresa não tem total controle da decisão, nem ‘manda’ no patrocinado, e sim tem que dialogar junto e estar disposta a um novo tipo de envolvimento”, diz.

Um exemplo do uso de financiamento coletivo por empresas é a Red Bull com seu braço de Negócios Sociais, a Amaphiko. Em sua página no Catarse, onde está desde abril de 2013, conta que já apoiou 78 projetos até agora. Há os mais variados temas, em diversas cidades: criação de horta em Porto Alegre, de brechó para consumo consciente em Salvador, projeto para melhora do trânsito em Belo Horizonte, livros infantis no Rio de Janeiro e em João Pessoa e bolsas para programas internacionais em Sorocaba, entre outros.

Um outro uso de Crowdfunding por empresas, segundo Reeberg, é testar um novo produto sem associá-lo à marca, para receber feedback direto do público. “O principal benefício aqui é reduzir o risco do lançamento do produto, já que você testa a viabilidade de negócio através da campanha de financiamento coletivo. A preferência pelo Matchfunding é a possibilidade de poder testar a hipótese de compra e não apenas medir a aceitação do produto. É diferente alguém dizer que compraria e alguém realmente comprar”, diz Reeberg.

 

Fonte: motivo.li

 

A Sony já usou esse artifício, e mais de uma vez. Em 2014, a empresa colocou no ar uma campanha (em uma plataforma chamada Makuake) no Japão para arrecadar fundos para a criação de um relógio de papel, o FES Watch. Em 2016, lançou uma segunda campanha, agora em sua própria plataforma de financiamento, para a produção de uma versão mais nova do relógio, o FES Watch U. O site pedia 20 milhões de ienes (cerca de 194 mil dólares) e arrecadou cinco milhões a mais.

Outro ponto relativo a financiamentos coletivos, usuários e empresas é: quem procura quem? Reeberg conta que existem alguns modelos de prospecção no Catarse, mas que o grosso do volume de projetos surge da indicação de clientes satisfeitos. “Até buscamos alguns projetos a partir de um clipping que fazemos e entramos em contato com pessoas que acreditamos ter boas propostas, mas não temos esse trabalho de oferecer o Matchfunding para grandes empresas”, diz. Ele explica que, hoje, o foco está nos empreendedores que já conhecem o modelo e entendem que pode ser a melhor maneira para financiar e lançar um produto. “Aqui no Brasil a gente ainda não viu nenhum caso relevante [de projeto de grande empresa], mas é sempre uma possibilidade.”

 

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