15:24 | 26/07/2017

Centro de Inovação - uma conversa com Denis Balaguer, da EY

“Com a crise, as organizações se desdobram para encontrar soluções e ganhar uma eficiência que não buscariam em uma situação normal”

Centro de Inovação é uma área que tem como objetivo garantir que uma empresa acompanhe abertamente as mudanças que acontecem no mundo. Inovação tem relação direta com mercado que, por sua vez, responde a transformações sociais e culturais que ocorrem local e globalmente.

De olho nisso, a EY, antiga Ernst & Young, empresa centenária que atua nas áreas de consultoria, auditoria, tributos e transações (com cerca de 200 mil funcionários no mundo, dos quais 4,9 mil no Brasil), criou seu Centro e vem trilhando, internamente, um caminho novo para entregar resultados a seus clientes e se destacar no mundo dos serviços profissionais. “Inovação é o único seguro contra irrelevância”, diz Denis Balaguer, diretor responsável pela área.

Fonte: draft

O Centro de Inovação da EY entrou em operação em dezembro de 2015 e é uma das poucas áreas da empresa que não foca em soluções aos clientes — e sim em oxigenar a própria empresa, o que se reflete indiretamente nos resultados gerais. Trata-se de uma iniciativa ousada para a indústria de serviços profissionais que, tradicionalmente, difere da indústria de produtos no que concerne à inovação. Por outro lado, segundo Balaguer, as consultorias são naturalmente mais vanguardistas. “Somos provocados o tempo todo a levar o novo para os nossos clientes.”

Ao longo de seu primeiro ano de existência, o Centro de Inovação da EY desenvolveu dois projetos grandes: um deles ligado à criação de uma plataforma online e colaborativa dentro da companhia e outro em seu campo tributário — que, apesar de operar dentro de uma série de regras e leis, pode oferecer boas oportunidades. Para o diretor, o Brasil está muito avançado na digitalização do segmento tributário. Esse patamar mais tecnológico desafia a EY a mudar sua entrega aos clientes. “Estamos prototipando novos modelos de negócio na área.”

Balaguer tem mais três pessoas em seu time. Ele diz não ver necessidade de uma equipe grande e verticalizada, mas, sim, que haja envolvimento com outras áreas na procura pelo novo. “Escalar um time maior na busca por mudanças pode ter um efeito adverso: a equipe ficar isolada, sem conexão com o dia a dia real da companhia.” Para o diretor, o Centro de Inovação já se afirmou na EY. Ajuda o fato de a empresa ter uma liderança mais jovem e aberta — pelas suas contas, a média dos funcionários da companhia, no Brasil, é de 28 anos. “E oitenta por cento do nosso time pertence à geração Y”, diz, em referência à denominação que se dá aos nascidos entre os anos de 1979 e 1993.

Em relação à gestão da inovação no Brasil, Balaguer tem bastante a dizer. Segundo ele, o país precisa se empenhar para ganhar mais espaço — indicadores mostram que está para trás, longe de ter um ecossistema vibrante e de alto impacto. Há, porém, um paradoxo: “O ambiente não é favorável à inovação, mas isso é um fator que acaba forçando as empresas a serem mais inovadoras para sobreviver e se destacar. Com a crise, as organizações se desdobram para encontrar soluções e ganhar uma eficiência que não buscariam em uma situação normal.”

Balaguer enxerga uma retomada se iniciando no Brasil e diz que este é o momento para emergirem novas tecnologias que resolvam problemas por meio de inovação. “É uma oportunidade que acontece uma vez a cada século, a chance de fazer o país saltar algumas casas. Há uma revolução digital no mundo e as empresas podem fazer o Brasil superar a crise e acompanhar este movimento pela via da inovação.”

Ele revela que outra frente que a EY pode vir a amadurecer no futuro é uma colaboração da empresa com startups. “Temos isso em outros países, como Estados Unidos e Grã-Bretanha, mas ainda não no Brasil. Estamos analisando porque é um modelo interessante que nos permite olhar de forma ampla para novas soluções tecnológicas.”

Um ponto importante para toda grande empresa aberta à nova economia é o embasamento da criação de um Centro de Inovação. “Temos muitos anos de história. Inovar é perenizar a empresa, fazê-la se reinventar ao redor de sua essência para se manter relevante para o mercado e os clientes.”

A tradução das palavras de Balaguer está no conceito que orienta a atuação da companhia: “Building a better working world”. Na língua portuguesa do universo inovador, a frase pode ser sintetizada em uma única palavra: propósito.

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